De Roma
E eu, o que espero?
Bento XVI

A expectativa, a espera é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera está presente em mil situações, desde as mais pequenas e banais, até às mais importantes, que nos empenham total e profundamente. Entre elas, pensamos na espera de um filho da parte de dois esposos; na espera de um parente ou de um amigo que vem visitar-nos de longe; pensamos, para um jovem, na expectativa do êxito de um exame decisivo, ou de um colóquio de trabalho; nos relacionamentos afectivos, na espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou do acolhimento de um perdão... Poder-se-ia dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto no seu coração estiver viva a esperança. É das suas expectativas que o homem se reconhece: a nossa «estatura» moral e espiritual pode ser medida a partir daquilo que aguardamos, daquilo em que esperamos.
Portanto, cada um de nós, especialmente neste Tempo que nos prepara para o Natal, pode perguntar-se: e eu, o que espero? Para que propende, neste momento da minha vida, o meu coração? E esta mesma interrogação pode fazer-se a nível familiar, comunitário e nacional. O que esperamos, juntos? O que une as nossas aspirações, o que as liga? No tempo precedente ao nascimento de Jesus, era extremamente intensa em Israel a espera do Messias, ou seja, de um Consagrado, descendente do rei David, que finalmente teria libertado o povo de toda a escravidão moral e política, instaurando o Reino de Deus. Mas jamais ninguém teria imaginado que o Messias pudesse nascer de uma jovem humilde como era Maria, noiva do justo José. Nem sequer ela mesma jamais teria pensado, e no entanto no seu coração a expectativa do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão fervorosas, que Ele pôde encontrar nela uma mãe digna. De resto, foi o próprio Deus que a preparou, antes dos séculos. Existe uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura «cheia de graça», totalmente transparente ao desígnio de amor do Altíssimo. Aprendamos dela, Mulher do Advento, a viver os gestos quotidianos com um espírito renovado, com o sentimento de uma profunda expectativa, que só a vinda de Deus pode cumular.
Cidade do Vaticano, 28 de novembro de 2010
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