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De Valência para o Mundo

Pablo Cabellos Llorente

Etiquetas: Caminho, Ratzinger, Santidade
Na República Checa o Papa falou de santidade, elemento fundamental, sem o qual não se entende a sua pregação: Bento XVI, não ignorando os problemas do mundo, afirmou que o importante para a Igreja é a santidade. Por essa razão perguntava-se: Será, ainda, a santidade um tema actual, do nosso tempo? Não será, pelo contrário, pouco atraente e pouco importante? Hoje em dia os homens não procurarão, antes de tudo o mais, o êxito e a glória? Como seria de esperar, terminou expressando uma verdade fundamental: Aquele que nega Deus encontra apenas tristeza e insatisfação e, além do mais, desrespeita o homem. Noutra ocasião, salientou que o fundamento da nossa esperança reside em Cristo: N’Ele, Deus amou-nos até ao fim e deu-nos vida em abundância, aquela vida que todos, mesmo sem o saber, desejamos ter.
O Romano Pontífice acrescentou: difundir os ideais cristãos, fundamento do seu actuar, nisso consiste a santidade, vocação universal que nos anima a desempenhar os nossos deveres com lealdade e coragem, procurando o bem comum e o cumprimento da vontade de Deus. A isso chama-se santidade e felicidade.
Qual a relação entre estas palavras e o título deste artigo? No meu coração unem-se intimamente e penso que também na alma da nossa cidade que alberga tantas histórias, grandes e pequenas, tristes e alegres, importantes ou, não, mas todas elas fazendo parte de nós mesmos
Pois bem, celebraram-se há uns dias, os setenta anos da publicação, precisamente em Valência, da primeira edição de “Caminho”, o primeiro e muito conhecido livro do fundador do Opus Dei. Uma obra com cerca de cinco milhões de exemplares que levou muita gente a procurar a santidade, procurando a Cristo, como recordava o Papa.
Nesta cidade, precisamente, teve origem uma onda de santidade que chegou e continua a chegar a milhões de pessoas. Penso que só este facto mereceria um reconhecimento público, independentemente das crenças de cada um.
Uma das missas de acção de graças por ocasião da beatificação de Josemaria Escrivá foi celebrada pelo então Cardeal Ratzinger. Na homília referiu que, no meio da apatia espiritual “Josemaria foi como que um despertador, clamando: A santidade, para cada baptizado, não está no extraordinário mas, no vulgar. A santidade não consiste em heroísmos impossíveis de imitar mas, possui mil formas e pode tornar-se realidade em qualquer lugar ou profissão. Isso é o habitual e consiste em oferecer a Deus, impregnada de fé, a vida de todos os dias” . Com efeito, foi esse o empenho de S. Josemaria, respondendo à vontade explícita de Deus. Assim o expressava sinteticamente no número 815 de Caminho “Queres deveras ser santo? - Cumpre o pequeno dever de cada momento, faz o que deves e está no que fazes”
Também o Cardeal Ratzinger – durante um Simpósio de Teologia – apontava em S. Josemaria uma visão muito clara da presença de Cristo, expressa assim, no número 584 de Caminho: “Aviva a tua fé. - Cristo não é uma figura que passou. Não é uma recordação que se perde na História. Vive! "Jesus Christus heri et hodie: ipse et in saecula!" diz São Paulo. Jesus Cristo ontem e hoje e sempre!” e o Cardeal comentava que este Cristo vivo é, além do mais, um Cristo próximo, um Cristo em quem o poder e a majestade de Deus se tornam presentes através das coisas humanas, simples e vulgares

Ouvir de um Papa estas palavras, sobre o espírito recebido de Deus por uma pessoa acusada de herege por pregar a santidade com igual radicalidade para todos os baptizados, é admirável. Ou, como escreveu no dia da canonização de S. Josemaria, “Escrivá sabia que devia fundar algo e por sua vez estava convencido de que esse algo não era obra sua, ele não tinha inventado nada: simplesmente, o Senhor serviu-se dele, a Obra não era a sua obra mas a Obra de Deus.

Tal como diz o Papa, a santidade no normal e corrente, exige o exercício de virtudes que, por sua vez, necessitam do auxílio da graça. Talvez por isso, recordasse a uns universitários em 2006: De novo, São Josemaria vos lembra as palavras chave do vosso itinerário espiritual “Comunhão, união, comunicação, confidência: Palavra, Pão, Amor” (Caminho nº 535), as grandes palavras – acrescentava Bento XVI – que expressam os pontos essenciais do nosso caminho.

Este é um pequeno apontamento do livro que se publicou em Valência para bem do mundo inteiro.

Las Provincias digital, Valencia (España), 8 de octubre de 2009