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Começa em Roma a fase diocesana do processo de canonização de D. Álvaro del Portillo
6 Março 2004

“As ocasiões que tive, bastante frequentes, de encontrar D. Álvaro del Portillo – recordou o cardeal Camillo Ruini - imprimiram na minha alma a persuasão de que me encontrava perante um pastor exemplar”. E acrescentou: “na firmeza da sua adesão à doutrina da Igreja, na sua união com o Papa, na sua caridade pastoral, na sua humildade, no seu equilíbrio, manifestava-se uma extraordinária riqueza interior”.
O cardeal Ruini traçou um perfil biográfico de Mons. Álvaro del Portillo, “D. Álvaro”, como lhe chamam as pessoas que em todo o mundo recorrem à sua intercessão. “A profunda experiência pastoral amadurecida junto a S. Josemaría, as suas provadas qualidades humanas e a sua competência teológica e jurídica tornaram-no apto para múltiplas tarefas”, disse.
O vigário do Papa pôs em relevo “a prolongada e multifacetada actividade que desenvolveu ao serviço da Sé Apostólica” como consultor de várias congregações, como secretário da Comissão do Concílio Vaticano II que elaborou o decreto “Presbyterorum Ordinis”, como consultor de outras comissões conciliares e como padre sinodal.
Segundo o cardeal, “o serviço que D. Álvaro prestou sempre, com obras, à Igreja de Roma e a prontidão e operacionalidade com que apoiou as iniciativas pastorais do Santo Padre em favor da sua diocese formavam parte desse amor à Igreja que tinha aprendido de S. Josemaría”.
“Relevante apresenta-se-nos também – acrescentou – o seu empenho na promoção da unidade entre a cultura e a fé” e as suas contribuições para a teologia do laicado e do sacerdócio, visíveis em alguns escritos como “Fiéis e leigos na Igreja” e “Escritos sobre o sacerdócio”.
O cardeal Ruini referiu o desejo de “um rápido início deste processo de canonização” por parte de “tantos expoentes da hierarquia eclesiástica e do povo de Deus”. Existe já “um vasto conjunto de testemunhos de pessoas que o conheceram, entre eles também de bastantes cardeais e bispos”, afirmou. E acrescentou: “A Conferência do Lazio, por mim interpelada, expressou unanimemente o seu parecer favorável” ao início do processo.
O vigário do Papa falou depois dos milhares de graças espirituais e materiais, entre elas também curas extraordinárias, atribuídas à intercessão de D. Álvaro que demonstram a “difusão da devoção privada ao Servo de Deus”.
Ao discurso do cardeal seguiu-se a petição formal da abertura da investigação diocesana por parte do postulador do processo, D. Flavio Capucci. Depois o cardeal Ruini confirmou a nomeação do tribunal, e seguidamente procedeu-se ao acto de juramento dos seus membros e do postulador.
Cerca de 400 pessoas enchiam a sala: “a quantidade de gente reunida nesta primeira sessão – concluiu o cardeal - é um sinal do afecto que rodeia o nosso queridíssimo e recordado Álvaro del Portillo”.

A Congregação para as Causas dos Santos aprovou que na primeira fase do Processo, ou investigação diocesana, sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade de Álvaro del Portillo, intervenham dois tribunais com igual grau de competência: um do Vicariato de Roma e outro da Prelatura do Opus Dei. As sessões do tribunal da Prelatura começarão a 20 de Março com uma cerimónia análoga à que teve lugar no Vicariato. Os dois tribunais coordenar-se-ão no que for necessário para o desenvolvimento da fase instrutória do processo (declarações de testemunhas e recolha de documentos), mas não são competentes para pronunciar qualquer sentença: isso compete exclusivamente à Santa Sé.
Com Álvaro del Portillo são sete os fiéis da Prelatura do Opus Dei de que está actualmente iniciado processo de canonização. Entre eles estão Montse Grases (1941-1959), estudante catalã que suportou com alegria exemplar uma dolorosa doença; Ernesto Cofiño (1899-1991), pai de família e médico pediatra guatemalteco, que convirteu a sua profissão num serviço constante aos outros, e Toni Zweifel (1938-1989), engenheiro suíço.
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